A Coreia do Sul quer dominar a cultura pop

MargeM 170 na área. A Coreia do Sul vai dominar a cultura pop. YouTube e consultoria a criadores. A Maria Antonieta da Sofia Coppola. E mais.



Blackpink é o artista da música com o maior número de assinantes no YouTube (mais de 69 milhões). Mas a banda de garotas é apenas um exemplo do tamanho da força exercida pelos artistas sul-coreanos na cultura pop nos últimos anos.

"Tendo dado ao mundo o k-pop, Parasita e Squid Game, a Coreia do Sul agora quer criar plataformas globais para distribuir seu conteúdo", afirma esta reportagem, que cita alguns números colossais: a indústria do entretenimento daquele país movimentou US$ 107 bilhões em 2019.

De onde vem isso? Segundo a reportagem, é o resultado de esforços de duas décadas e guarda muitas semelhanças com o que os sul-coreanos fizeram nas indústrias de automóveis e de eletrônicos:

- "envolvimento ativo do estado";

- "a capacidade de absorver e refinar as influências estrangeiras";

-  "uma mentalidade quase patológica voltada para a exportação".

Outro ponto importante: a sensação de pertencimento a uma comunidade. Algo que se encaixou perfeitamente com a arquitetura de redes e plataformas como o YouTube.

"A cultura dos fãs coreanos sempre teve muito a ver com participação ativa, com  fazer seus próprios vídeos, entrar e se envolver com grupos de fãs. Em troca, os grupos estão constantemente reconhecendo suas bases de fãs. Isso cria uma dinâmica como a de uma equipe esportiva, quando o sucesso do grupo passa a ser o seu próprio."

E, depois de vender hits para plataformas como Netflix, YouTube e Spotify, qual é o próximo passo? Criar as próprias plataformas. "As empresas de entretenimento sul-coreanas querem ser os provedores de plataforma do futuro, oferecendo vários serviços e sugando dados. Em última análise, é por meio dos dados, não do conteúdo de mídia, que elas vão subir na cadeia de valor.”

Se você quer entender um pouco o que está acontecendo na cultura pop, vale muito ler a reportagem.


Yaeji & OHHYUK (오혁) - Year to Year
Já que o papo está na Coreia do Sul, aqui outra faceta da música daquele país: mais esquisita, diferente e, também, irresistível.



"Como o YouTube garante que seus hitmakers não tropecem" é o título de uma ótima reportagem do Wall Street Journal que mostra as estratégias da plataforma para que os criadores continuem atraindo audiência –e, assim, permaneçam felizes e não considerem ir para outra rede.

Uma das ferramentas é manter uma equipe de consultores que trabalha "em estreita colaboração com os criadores".

Outra: montar uma espécie de agência de talentos, como existe em outras redes: "As plataformas vêm construindo agências de talentos internas que –semelhantes às de Hollywood– buscam criadores que podem se tornar as próximas superestrelas digitais e estimular suas atividades comerciais".

Cerca de 12 mil criadores recebem ou já receberam consultoria do time interno do YouTube. "Cada um (dos consultores do YouTube) fica com um portfólio de cerca de 10 a 20 youtubers. Se um criador famoso deixar de fazer uma postagem semanal, os gerentes do YouTube provavelmente saberão o por quê."


Um número: apenas nos EUA, há cerca de 400 mil pessoas que são youtubers em tempo integral. Naquele país, há mais youtubers do que dentistas.

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Já que o assunto é youtuber: um deles afirma que o Instagram não paga direito os criadores.


Sofia Coppola: "Pensei em usar música contemporânea desde o início. Não sentia que a música clássica iria evocar o mesmo sentimento. Queria principalmente mostrar que (os personagens) eram adolescentes e associo essa música à minha adolescência. Eu queria que parecesse com aqueles clipes do Adam Ant que eu amava quando criança."

Brian Reitzell (supervisor musical): "O Robert Smith escreveu para a gravadora para que ambas as músicas do Cure pudessem ser usadas na trilha sonora, com redução de royalties. Todos ganharam menos dinheiro do que deveriam porque queriam estar no filme."

Uma história oral de Maria Antonieta, o subvalorizado filme da Sofia Coppola lançado há 15 anos.


Esta foto em Ipanema, da brasileira Sandra Cattaneo Adorno, é uma das ganhadoras do Emerging Photography Awards 2021.


As pessoas de 37 anos têm medo das de 23 que trabalham para elas, diz o esperto título desta reportagem.

(Um ponto: como mostra este looongo, mas ótimo artigo, já não faz mais tanto sentido dividir as pessoas em cortes geracionais; muita gente de 20 e poucos anos possui mais coisas em comum com boomers do que com outros Gen Z, por exemplo. Mas há costumes e hábitos referentes a determinadas questões que estão, sim, mudando, como revela a reportagem linkada inicialmente.) 

Isso ocorre por vários motivos, alguns banais (as mais velhas usam emojis "ultrapassados"), outros nem tanto:

- as pessoas mais novas já não querem permanecer no escritório até o final do dia se todas as tarefas já tiverem sido feitas;

- exigem que empresas e líderes tomem posição em assuntos como política, gênero, racismo, homofobia, desigualdade etc.;

- não têm pudor em até mesmo cobrar de superiores e donos de empresas tarefas não realizadas.

- se recusam a trabalhar porque alegam, por exemplo, "não estar em um bom lugar mentalmente".

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Já a Anne Helen Petersen, que escreve esta newsletter e lançou há pouco o livro Não Aguento Mais Não Aguentar Mais: Como os Millennials se Tornaram a Geração do Burnout, diz em entrevista ao El País que "os millennials perceberam que a meritocracia não existe, não importa o quanto você se esforce”.


A privacidade virou um luxo?

"A pandemia expôs desigualdades nas mais diversas áreas e na privacidade não foi diferente", diz esta reportagem. "'A vida dos 99% hoje é forçadamente mediada pelas mídias digitais ligadas ao capitalismo de vigilância. (...) Quem tem mais dinheiro tem mais possibilidade de se proteger mais da vigilância de aparelhos, apps e serviços que usariam nossos dados como fonte de lucro. Escapar disso é mais difícil para quem tem menos poder aquisitivo.'”


Coisas legais por aí

O Fio Invisível. Um filme que na superfície é um quase-horror carregado de tensão, mas que vai revelando, nos detalhes, a indestrutível conexão entre mãe-filhos.

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Salvatierra. Um homem mudo morre e deixa como legado uma pintura enorme, de quase quatro quilômetros de comprimento. Mas uma parte dela desapareceu. Dois fihos tentam encontrá-la. Não é tão impactante como A Uruguaia, mas Pedro Mairal é daqueles que sabem como desenrolar uma boa história.

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Locked Down and Stripped Back. Disco que saiu no início do ano e eu nem tinha dado muita bola. Mas um amigo me disse, sobre uma das faixas: "É fresca, leve, solar e nem parece que o cara já tem uns 60 anos!". Sim, verdade: está uma beleza este último disco do Wedding Present.

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Valentine. Que beleza este segundo disco da  Snail Mail, não apenas porque é um disco sensivelmente bem escrito e musicalmente diverso e quente, mas porque é um sólido passo à frente em relação ao primeiro álbum, que saiu há três anos.



Jenny Lewis - Puppy and a Truck
”My forties are kicking my ass/ And handing them to me in a margarita glass/ I was infatuated with an older man/ And then I dated a psychopath.”


Aos 26 anos, Marília Mendonça vivia o auge após revolucionar o sertanejo.

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Oito pessoas morrem pisoteadas durante show do Travis Scott  em um festival em Houston.

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Irreversível, filme de Gaspar Noé em que há uma cena longa e explícita cena de estupro sofrida pela personagem de Monica Bellucci, está sendo remontado. Este artigo relembra como alguns críticos encararam a obra quando ela foi lançada, em 2002.

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O New York Times soltou um ótimo doc (de apenas 13 minutos) sobre a vida dos jovens que viraram estrelas no bilionário mercado do livestreaming da China. "Como é trabalhar para uma empresa que gerencia todos os aspectos da sua vida - e depois exige que você transmita isso ao vivo o dia todo?"

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15 filmes ótimos –e esquecidos– da Nova Hollywood (a geração dos anos 70 do cinema norte-americano).

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"Se você quiser acreditar que o futuro é brilhante, vá a um show da Phoebe Bridgers."

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Muitos moradores de favelas brasileiras estão se dando bem nos e-sports.

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Mohamed Mbougar Sarr é o novo fenômeno literário da língua francesa.

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Como publicar um livro em 2021?

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Pinterest, Instagram, TikTok e até a Amazon: redes sociais e plataformas vão com tudo em cima do liveshopping.

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Os influenciadores brasileiros que comentam arquitetura e designer com humor.

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Meta (ex-Facebook) pode abrir lojas físicas para pessoas experimentarem o metaverso. (Pode parecer um paradoxo, mas é uma ação que faz sentido.)

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O Spotify planeja lançar recursos para incentivar a interação dos assinantes com os seus podcasts. (Ainda: "O Spotify tentou sera  Netflix. Agora quer ser o YouTube."

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Por que mulheres com 20 e poucos anos assistem a séries sobre mulheres de 40 ou 50 anos.

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Como o Google Street View está ajudando as pessoas a reviverem momentos do passado.

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Um atlas interativo sobre comidas.

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Dinossauros trans.

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Um gif que pode ser ouvido???