Estamos ficando menos criativos?

O que são os filmes neste esquisito 2021? Estamos ficando menos criativos? Os Gen Z e a desinformação online. Entre as dicas, o filme Permanência, um doc sobre os bebês reborn, doc sobre o Echo and the Bunnymen. E mais, nesta MargeM 160.


Filmes? O que são os filmes?

O grande A. O. Scott, crítico de cinema do NYT, publicou um longo ensaio em que discute como o crescimento do streaming está mudando o que entendemos por cinema e por filmes.

O texto, felizmente, foi traduzido pela Folha. Dois trechos:

"O momento que vivemos pode ser o de uma alteração sísmica, semelhante ao da introdução do cinema falado no final da década de 1920, ou ao do colapso do sistema dos grandes estúdios, décadas mais tarde. É cedo demais para dizer para onde tudo isso está indo, e existe motivo para otimismo e não só para preocupação."

"Quando a tela da Netflix pergunta 'quem está assistindo?', a verdadeira mensagem é que a Netflix está assistindo ao que fazemos. O ato de assistir não oferece escape; induz à passividade. Quanto mais você assiste, mais o algoritmo trabalha para transformar a ideia de você em uma realidade. À medida que a arte se torna conteúdo, o conteúdo se transmuta em dados, e é função de cada um de nós como consumidor os oferecer às empresas que nos vendem acesso à arte."


Vince Staples - Tine Desk (Home) Concert
O rapper, que acaba de soltar um ótimo disco homônimo, em 11 minutos ao vivo.


Pesquisadores afirmam que estamos ficando menos criativos.
"Os cientistas culpam 'as nossas vidas apressadas e hiper-programadas' e 'uma quantidade cada vez maior (de tempo) interagindo com dispositivos de entretenimento eletrônico'."


Por que a Geração Z cai na desinformação online?

Um excelente artigo na revista online do MIT tenta entender como os mais jovens se relacionam com as redes sociais e tiram desse ambiente informações que influenciam comportamentos e julgamentos.

A autora afirma que os jovens "são mais propensos a acreditar e a transmitir informações incorretas se sentirem uma identidade comum com a pessoa que a compartilhou".

"Offline, ao decidir quais reivindicações devem ser confiáveis ​​e quais devem ser ignoradas ou duvidadas, os adolescentes tendem a se basear no contexto que suas comunidades oferecem. Conexões sociais e reputações individuais desenvolvidas ao longo de anos de experiências compartilhadas informam quais familiares e colegas os adolescentes vão confiar para formar as suas opiniões. Nesse cenário, o conhecimento coletivo de uma comunidade a respeito de em quem confiar e em quais tópicos contribui mais para a credibilidade do que a identidade da pessoa que faz uma reclamação."

"A mídia social, no entanto, promove a credibilidade com base na identidade e não na comunidade. E quando a confiança é construída em cima da identidade, a autoridade muda para os influenciadores. Ao aparentar e soar como os seus seguidores, os influenciadores tornam-se mensageiros confiáveis ​​em relação a tópicos nos quais não têm experiência. De acordo com uma pesquisa da Common Sense Media, 60% dos adolescentes que usam o YouTube para acompanhar eventos atuais recorrem a influenciadores em vez de organizações de notícias. Os criadores que construíram credibilidade veem suas afirmações elevadas ao status de fatos, enquanto os especialistas no assunto lutam para ganhar força."


Liam Wong, designer e artista escocês, fotografou Tóquio durante a noite/madrugada. Reunido no livro TO:KY:OO, o ensaio mostra uma cidade iluminada por neons e e envolta em um clima noir e futurista. O UOL fez uma entrevista com Wong.


"Os robôs e brinquedos sexuais, os aparelhos com finalidades terapêuticas e o pornô em realidade virtual já são uma realidade. O futuro do sexo passa pela tecnologia e abre inúmeras questões. Um usuário pode escolher manter sexo virtual com o avatar de um ex-parceiro e de uma pessoa falecida? Em que casos o consentimento será necessário? Falaremos de infidelidades virtuais?"

O El País discute como a tecnologia vai influenciar e até mudar os relacionamentos e hábitos sexuais. Para um pesquisador, "o sexo em realidade virtual provavelmente algum dia oferecerá a oportunidade de se relacionar com quase qualquer pessoa no mundo”.

Uma sexóloga afirma que as novas tecnologias e o acesso à informação “desataram uma curiosidade global sobre o corpo, ajudando a mudar os estigmas e a vergonha sobre o sexo. As pessoas agora estão questionando o que foram ensinadas sobre o sexo e reconhecendo a lacuna na educação sexual. Estão questionando os papéis de gênero, o significado do sexo e o papel que joga em nos orientar rumo a uma vida saudável e feliz”.


"Quando precisava que ela fizesse uma expressão comovente, eu colocava uma cenoura atrás da câmera e ela olhava para a cenoura, então a cenoura a faria olhar para mim com amor."
Nicholas Cage sobre a porca Brandy, que contracena com ele no filme Pig.


Permanência. Belo filme de Leonardo Lacca em que um fotógrafo do Recife vai a São Paulo para uma exposição e passa alguns dias no apartamento de uma antiga namorada/amante. Mas ela está casada, e o filme passeia entre a tensão e o constrangimento da situação.
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Bebê Reborn. Minidoc produzido pela equipe do TAB UOL sobre as bebês reborn (bonecas hiperrealistas que, depoiis de virarem hit entre as crianças, passaram a ser "adotadas' por adultos e casais).
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Shine So Hard. Em janeiro de 1981, Echo and the Bunnymen tinha acabado de lançar Crocodiles, o primeiro disco, e armou um show meio secreto no interior da Inglaterra. O diretor John Smith ficou encarregado de registrar a apresentação em filme. Mas o resultado ficou longe de algo convencional: é um documentário de 32 minutos com alguns trechos do show mesclados a imagens abstratas do cotidiano da época. É incrível que um material desse seja tão obscuro.
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Just Like Heaven. Existe vida após a morte? É a pergunta que guia este belo artigo/episódio de podcast. "Não tenha pena dos mortos. Eles têm muito tempo disponível e tudo o que fazem é pensar em maneiras de nos irritar. Eles observam como vivemos cuidando de nossos negócios sujos e sorriem, indiferentes, são como viciados em heroína ou gatos. Você quer chamar a atenção deles, fazê-los notar, apontar um ponteiro laser no chão e vê-los sair de suas sepulturas. Mas isso não funcionaria. Eles são os nativos. Nós somos os turistas."
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Hinos da Música - In My Life. Podcast que discute a emocionante e linda faixa dos Beatles.


John Vanderslice - I Get a Strange Kind of Pleasure from Just Hanging On
Que figura, esse John Vanderslice. Ele apareceu nos anos 1990, tocando em bandas indie e, em seguida, passou a lançar discos solo. Faz uma música nada trivial, em que tons bem pop dividem espaço com algumas experimentações. Lançou recentemente o EP John, I Can’t Believe Civilization is Still Going Here in 2021! Congratulations to All of Us, Love, DCB, uma homenagem, a David Berman (que fazia parte da banda Silver Jews e cometeu suicídio em 2019).


MC Carol, que lança o disco Borogodó, sobre as pessoas com quem trabalhou no início da carreira: "Eu era mais nova e os caras (da equipe eram) mais velhos. A minha palavra era sempre a última. Os caras trabalhavam para mim e parecia que eu trabalhava para eles. Eu era roubada por esses caras."
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DJ Ivis some das paradas, mas a queda não abala ótima onda de popularidade do forró.
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A jornalista Carol Pires lista seis podcasts investigativos.
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O Kwai, que tem mais de 1 bilhão de usuários mensais e é um dos grandes rivais do TikTok, abocanhou os direitos de transmissão dos Jogos Olímpicos.
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O TikTok é capaz de traçar um perfil do usuário em menos de 1h e, então, passar a recomendar vídeos que o mantenha mais tempo online, podendo levá-lo a conteúdos extremos.
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Região central de São Paulo vira polo do mercado de arte.
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De onde vem a cannabis? Segundo um estudo, do leste da Ásia.
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A BBC Brasil lista 7 mitos e meio sobre o cérebro derrubados.
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Museus italianos estão usando câmeras com inteligência artificial para determinar o apelo das pinturas expostas e saber quantos visitantes as vêem e por quanto tempo.
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Dubai passou a combater o calor com chuva artificial.
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Se você lê em inglês e estiver com tempo, vale encarar este longo ensaio A influência da internet na produção e no consumo de cultura: destruição criativa e novas oportunidades.