Havia tanta fumaça de maconha na cabine do avião

Depois de quase duas semanas no vácuo, finalmente sai a edição 162 da MargeM. As joias do Frank Ocean. Uma antologia do hip-hop. O emoji sorridente é passivo-agressivo??? E mais.


O que o Frank Ocean está fazendo?

O autor de faixas como Super Rich Kids não solta disco há cinco anos. Mas reaparece para o lançamento de sua marca de joias, a Homer. Ao Financial Times (quem mais?), ele diz: "“Eu não queria que minhas peças fossem menos caras do que as da Cartier".

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Se o Financial Times escreve sobre o Frank Ocean, a Economist abre espaço para um tema quente no pop: nome de bandas.

"Parece surpreendente agora pensar que houve um tempo em que as bandas mudavam seus nomes para algo deliberadamente desagradável. Em 1978, um grupo de Manchester chamado Warsaw, que havia gravado o primeiro EP, decidiu que uma nova identidade era necessária (em parte para evitar ser confundido com outro grupo chamado Warsaw Pakt). Adotaram um nome retirado de House of Dolls, uma novela publicada em 1953 por Yehiel De-Nur. O novo nome era bonito em si mesmo, mas feio no contexto: o termo é usado no livro para descrever mulheres judias em campos de concentração, mantidas para o prazer sexual de seus captores nazistas. E assim nasceu o Joy Division."

O texto elenca uma série de bandas e artistas que mudaram o nome recentemente (British Sea Power virou Sea Power; a Black Madonna agora atende por Blessed Madonna etc.). E constata: "Se uma banda hoje em dia, por melhor que seja, tirasse o seu nome a partir do estupro de mulheres em campos de concentração, a internet, com razão, seria impiedosa".


Desire Marea - Tavern Kween
Este sul-africano faz música esperta, vibrante e, como quase tudo em 2021, inclassificável. Das melhores coisas que ouvi no ano.


Vai sair, no dia 20, uma iniciativa que pretende apresentar como o rap evoluiu desde a sua criação. A Smithsonian Anthology of Hip-Hop and Rap é uma coleção de 129 canções lançadas entre 1979 e 2013.

O NYT faz elogios e ressalvas: "A antologia é um impressionante trabalho de erudição, concepção e logística. Também é inevitavelmente falho, claro, um ponto de partida para uma coleção de exclusões, histórias alternativas e quase-acidentes".

O Estadão traduziu boa parte do texto.


"Foi muito divertido. Eu me senti vingada, pude sentar e dizer tudo que eu diria em um desabafo no Twitter, só que numa música. Fiz tudo em uma noite só." Lizzo, sobre a faixa Rumors, ao G1.


A foto acima é do Lollapalooza que rolou em Chicago no início deste mês. A boa notícia: o festival, a princípio, não parece ter sido um evento super-espalhador de Covid. "Das quase 400 mil pessoas que compareceram ao festival, em apenas 203 o resultado dos testes deu positivo para o vírus." (Pelo menos 88% das pessoas quem foram ao evento estavam vacinadas.)


“Havia tanta fumaça de maconha na cabine (do avião) que a tripulação foi forçada a retirar as máscaras de oxigênio do jato e colocá-las”.

Trecho de The Cult of We: WeWork, Adam Neumann and the Great Startup Delusion, de Eliot Brown e Maureen Farrell (ambos jornalistas do Wall Street Journal.

O livro é uma biografia da WeWork, a startup de coworking que chegou a valer quase US$ 50 bilhões de dólares graças a investimentos sem nenhum lastro feito por gigantes como SoftBank e J.P. Morgan Chase, gente que achava que as loucuras e bizarrices de Adam Neumann, o fundador da WeWork (e dono do avião em que ocorreu o episódio acima), eram excentricidades de um gênio da nova economia.

Aqui tem uma boa crítica do livro.


Se conseguir passar pelo paywall do Wall Street Journal, vale ler este artigo (o assunto nem é tão novo, já apareceu aqui na MargeM) sobre como diferentes gerações usam os emojis.

"O onipresente emoji significa felicidade, bom trabalho ou qualquer outro tipo de sentimento positivo para a maioria das pessoas com mais de 30 anos. Mas, para muitos adolescentes e gente na faixa dos 20 anos, um rosto sorridente aparecendo em um texto ou e-mail é visto como paternalista ou passivo-agressivo."

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Sobre mídia e paywall: "A era da internet à la carte".


Durante oito semanas, entre maio e julho, o New York Times encarregou 40 fotógrafos e nove repórteres para cobrir performances, festas em casa, bares, pistas de dança e outros encontros, para documentar a volta da vida social na cidade. Material espetacular em imagens e texto.


Você consegue imaginar a internet sem o YouTube? Mais: será que dá pra dizer que o YouTube é um sucesso?

"Depois de quase 15 anos como parte do Google (a mais bem-sucedida máquina de fazer dinheiro na história da internet), ainda não está nítido se o YouTube atingiu o potencial financeiro tanto para si mesmo como para todos os envolvidos em sua vasta economia digital", diz o artigo.

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E o YouTube tornou-se um problema para os veículos que publicam conteúdo no próprio YouTube. "O YouTube se tornou tão adepto da venda de espaço publicitário por meio de leilões automatizados que agora está subestimando maciçamente os veículos que vendem espaços publicitários diretamente em seus programas do YouTube. (...) Essa tendência está afetando particularmente as empresas de mídia de médio porte, como Vice e BuzzFeed."


"Vários estudos já sugeriram que a tecnologia digital está diminuindo a nossa capacidade de atenção e nos tornando mais distraídos. E se ela também nos tornar menos empáticos, menos propensos à ação ética? E se ela estiver degradando a nossa capacidade de atenção moral –a capacidade de perceber as características moralmente salientes de uma determinada situação para que possamos responder de forma adequada?"
Será?


Saíram em livro as fotos de Marilyn Monroe feitas por Lawrence Schiller poucos dias antes da morte da atriz. Segundo o El País, são "imagens que vão muito além de um nu de celebridade".


Coisas legais por aí

Quase 18. Filme que aborda um tema batido (crises de adolescentes) de um jeito nada trivial.
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Three Identical Strangers. Documentário sobre um episódio tão fascinante quando trágico: trigêmeos que foram adotados por pais diferentes.
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Loud. O pesado investimento do Spotify em podcasts gera resultados como este ótimo programa, dedicado à história do reggaeton, da Jamaica à Colômbia, passando pelo Panamá.
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Fip. Ótima rádio francesa em que dá para se perder lindamente na programação dividida em gêneros como pop, eletrônica, reggae, rock, jazz, groove, entre outras.
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We Pod Econo - Michael Azerrad. Publicado originalmente em 2001 (e com versão brasileira), Our Band Could Be Your Life é dos melhores livros sobre rock já feitos. O autor, Michael Azerrad, fala a respeito neste podcast.
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Rincon Sapiência. Como rimar em dois minutos.


La Goony Chonga - Pa Mi
Norte-americana de ascendência cubana que faz música cheia de vida, que mistura trap, reggaeton, funk e toques latinos.


Se você lê em inglês, este texto da Atlantic é a melhor fonte para entendermos o atual estado da pandemia, as consequências da variante delta e como deveremos viver daqui pra frente.
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Mesmo com pandemia, o Tinder registrou em 2020 aumento de 42% na atividade de seus usuários.
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Bernardo Carvalho: "Queimar Borba Gato não é igual a vandalizar mural de Marielle".
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O que o filme Eu, Daniel Blake tem em comum com o Brasil.
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Bella Poarch, Olivia Rodrigo, Audrey Nuna, Japanese Breakfast: Uma nova geração de cantoras pop de ascendência asiática está transformando a música. (Material com umas fotos ótimas.)
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A Lorde e o Jack Antonoff contam em vídeo como criaram a faixa Solar Power.
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Os artistas LGBTI que desafiam a homofobia no hip-hop.
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Um perfil de Tasha e Tracie Okereke, irmãs que já comandaram um esperto blog de moda, discotecaram em divversas festas e estão para lançar mais um EP como MCs.
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Tinder? Bumble? Happn? Tem muita gente que está arrumando namoros em sites dedicados a filmes e livros, como Letterboxd e Goodreads.
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Games, DJs e gente dormindo ajudam Twitch a bater recorde de audiência.
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Como os uniformes femininos no esporte ficaram tão curtos ao longo dos anos.
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A guerra do trabalho remoto. As big techs querem que os funcionários retornem aos escritórios. Muitos funcionários são contra.
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Estudo revela as 10 profissões mais promissoras em tecnologia.
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Alta nos casos de burnout alerta para exaustão no trabalho remoto. "Desafio é saber quando parar."
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O marketing da nostalgia está em alta. Para as marcas que têm uma história, vale a pena criar ações que fazem referências ao passado.
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Efeito Rayssa aquece mercado de skate e vendas sobem 50%. (E 70% da receita veio de compras feitas por mulheres.)
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Um deserto do tamanho da Inglaterra foi formado no Nordeste. Culpa da mudança do clima.
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Correção: na edição passada desta newsletter, o link para o material a seguir saiu errado. Como a pandemia está transformando a arquitetura.
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A Unesco declarou 33 novos locais como patrimônio mundial –cinco estão na América Latina, um deles no Rio de Janeiro.
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Se quiser recusar um convite, evite dizer "não tenho tempo"; diga "não tenho dinheiro" –segundo pesquisa, é mais simpático.
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Em uma arte: de onde vem a felicidade. (Pesquisadores pediram a 10 mil pessoas que listassem dez coisas que recentemente as deixaram felizes. O resultado foi uma coleção de 100 mil momentos de felicidade, mapeados visualmente.)
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Random Street View.
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O lugar mais legal da internet.
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Saudade de viajar? Virtual vacation.