Nós realmente saíamos?

Esta MargeM 148 marca uma mudança. Depois de mais de dois anos no Mailchimp, a newsletter passa a ser hospedada e enviada pelo Substack.
Não sei se mudou muita coisa no conteúdo e no layout, talvez tenha ficado mais limpa, fácil de ler. Se quiser, mande um mail pra margemnewsletter@gmail.com pra me falar o que achou. Valeu!


Depois de passar pela Alemanha, estaciona no Reino Unido a mostra Night Fever: Designing Club Culture. "É a primeira grande exposição que explora a relação entre a cultura club e o design dos anos 1960 até hoje."
Tem imagens tipo essa do Palladium, em Nova York, em 1985 (com um mural do Keith Haring ao fundo).

"Depois de mais de um ano em que a vida noturna era quase inteiramente feita nos sofás, parece adequado que os clubes agora se encontrem em um museu. Nós realmente saíamos?", escreve o Guardian. "As pessoas realmente faziam fila para arriscar serem barradas na porta por algum capricho e depois ainda pagavam para ter o suor de estranhos pingando nelas do teto de salas escuras e barulhentas?"
Sim, a gente pagava (e muito) para estarmos nesses ambientes. E queremos mais. 

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(Em São Paulo, acaba de ser inaugurada a Galeria do DJ Sonia Abreu, no Centro Cultural Olido. A primeira mostra é 60 Anos de Discotecagem em SP.)

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Sim, a vontade de sair, de ir a festas, de se jogar numa pista lotada é tentadora, mas aí dei de cara com este artigo de Jessica Grose em que ela reflete sobre "o que você realmente vai gostar em relação a encontrar as pessoas no 'depois'".
Grose conta que, antes da pandemia, era conhecida por fazer planos e cancelar na última hora. A pandemia a fez mudar esse hábito. "Diga às pessoas os verdadeiros motivos pelos quais você está dizendo não para coisas que diz não. Isso tem dois benefícios: vai te dar uma intimidade mais profunda com amigos que te reconhecerão como a verdadeira excêntrica que você realmente é. E eles vão parar de te convidar para coisas que você realmente não gosta de fazer."


Warpaint - Lilys
Bela música nova desta banda que não lança disco há uns quatro ou cinco anos. A faixa entrou na série Made for Love, da HBO.


Algumas músicas, como os gatos, têm sete vidas. Disco Arranhado é uma delas, como conta reportagem do G1. A faixa foi criada em 2017 como uma "canção romântica com piano britânico"; reencarnou pouco depois com alma sertaneja; ressuscitou em 2019 como um "arrocha de caminhoneiro"; neste ano, foi parida novamente dentro de um corpo funk.
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Aya Nakamura, L’Impératrice: 12 artistas francófonos para ficar de olho.


Em alguns países a vida está, sim, voltando ao normal. Em Nova York, o Met, por exemplo, exibe a exposição da Alice Neel: People Come First, com mais de 100 trabalhos da artista que cresceu no Harlem. 
O grande Jerry Saltz começa a crítica dele sobre a mostra assim: "Alice Neel foi a pintora por excelência da comédia humana de Nova York. Ela colocou em telas amigos, filhos, amantes, estranhos, viciados, ativistas, xamãs auto-ungidos, reis e rainhas culturais, o mágico, o perdido e o condenado em harmonias de cores intensas".
E o Met fez uma visita guiada em vídeo.


Os podcasts, conta o Wall Street Journal, "explodiram em popularidade durante a pandemia e estão a caminho de gerar, pela primeira vez, mais de US$ 1 bilhão em receita de publicidade neste ano nos EUA. Estima-se que 116 milhões de americanos, ou 41% da população dos EUA com mais de 12 anos, são ouvintes mensais de podcast, um aumento de 11% em relação a 2020".
O mercado está quente. A Apple anunciou que vai oferecer serviço de assinatura de podcasts (a US$ 19.99/ano). O Spotify foi na mesma linha: podcasters poderão oferecer episódios apenas para assinantes, diz o Gizmodo.
Mais um dado para entender essa disputa: um estudo afirma que neste ano o Spotify terá, nos EUA, mais ouvintes de podcasts do que a Apple: 28,2 milhões de usuários ouvirão podcasts no Spotify, enquanto 28 milhões escolherão a Apple. (Segundo esse estudo, em 2023 o Spotify terá 37,5 milhões de ouvintes, contra 28,8 milhões da Apple.)
No Brasil, a audiência de podcasts subiu 33% em 2020 (em relação a 2019) –28 milhões de brasileiros com mais de 16 anos têm o hábito de ouvir podcasts. E 53% desses têm até 34 anos.
Mas é aquela coisa: os podcasts podem estar bombando, mas apenas alguns poucos estão ganhando grana boa. O top 1% concentra 99% dos downloads.

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Ainda na linha áudio: pra competir com o Clubhouse, o Instagram Live terá recursos em que as transmissões poderão ser feitas sem vídeo (e os usuários poderão deixar o microfone no mudo).


No Brasil, as redes sociais estão impulsionando o Pix como meio de pagamento. "De 'biscoitagem' a doações, redes sociais popularizam o Pix; menções ao termo Pix mais que dobram no Facebook e no Instagram nos últimos dois meses", afirma a reportagem do Núcleo.


Uma discussão que parece interminável é a que coloca de um lado os generalistas e, de outro, os especialistas. É melhor conhecer um pouco de muita coisa ou muito de uma coisa só? Em 2019, saiu o livro Range: Why Generalists Triumph in a Specialized World, que nitidamente é favorável ao caminho dos generalistas.
O autor, David Epstein, escreveu novo posfácio em que afirma: "se especializar mais cedo na vida não necessariamente prepara melhor as pessoas para sua carreira".


Nomusa - Oxígeno Diatómico
Não sei muito sobre a Nomusa, mas vi no site argentino Indiehoy que ela é afrouruguaia, está baseada em Buenos Aires e suas músicas "são alimentadas essencialmente pelo hip hop, nu jazz e afrobeat, mas também por um coquetel eclético: post punk, valsa, rock progressivo, krautrock, música popular uruguaia, candombe beat, bossa nova, filho cubano, pop e glam rock".


Interessante a conexão que a Aline Valek faz do filme Parasita com Casa Tomada, conto do Cortázar. "Nos filmes de terror, a casa é o espaço onde as merdas acontecem. Inclusive, quanto maiores as casas, maiores as chances de sustinhos e tragédias. Não me lembro de nenhum filme apavorante que se passe numa kitnet. O que interessa aqui, no entanto, é que a casa normalmente aparece como o símbolo de um espaço íntimo, que deveria ser seguro. Nessas fantasias de medo, essa segurança se rompe com a aparição de algum elemento estranho: um fantasma, um assassino, uma criatura, um invasor. Uma ameaça oculta vivendo bem ali, justamente onde os personagens mais se sentiam seguros! Isso grita horror!".


Coisas legais por aí

Betoneira - Pele de Vidro. O Betoneira é um podcast sobre arquitetura e urbanismo feito de um jeito pop e nada pedante. Está no ar um especial bem bom sobre o edifício Wilton Paes de Almeida (aquele que desabou no largo do Paiçandu, no centro de São Paulo, há três anos).

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Coral Island. Com a alma alimentada pelo psicodelismo dos anos 1960/1970, a  banda The Coral é criminosamente bem pouco conhecida. Acaba de sair o décimo disco do grupo de Liverpool: um álbum duplo (24 faixas!!) que, veja só, é tão bom que passa muito rápido.

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Te Amo Lá Fora. Belo segundo disco da Duda Beat. Produção que mistura bem ritmos diversos, letras bem construídas, atual. Curti bastante principalmente a faixa Nem um Pouquinho.

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Dois Estranhos. Curta (30 minutos) esperto em que o personagem do rapper Joey Bada$$ fica preso em um loop temporal no qual não consegue voltar para casa porque sempre acaba agredido ou morto por um policial. 

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Cinema em Casa com o Sesc. A plataforma exibe (gratuitamente) filmes como Apocalypse Now - Final Cut, Honeyland, Martin Eden, Segredos e Mentiras e vários outros.

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Do Not Split. Documentário de duração curta (34 minutos) mas de impacto grande sobre os protestos em Hong Kong contra o governo chinês.

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Sem Filtro. Elogiadíssimo (melhor obra sobre negócios para o Financial Times) livro de Sarah Frier que revela os bastidores de como nasceu e cresceu o Instagram.


Saiu a playlist #21 da MargeM: 14 músicas, 54 minutos, vai de Dom La Nena a Sofia Kourtesis, passando por Darkside, El Remolón e Leon Vynehall.


Atrizes do pornô brasileiro se unem para denunciar abusos sexuais e assédios que sofrem dentro da indústria.
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Vaquinhas se tornam último suspiro de bares e restaurantes de SP antes de falir na pandemia. "Em um ano, plataforma registrou cerca de 700 financiamentos por mês feitos por casas do setor."
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A vida em um país vacinado: "Viver em Israel é neste momento a coisa mais parecida com saborear um futuro que se assemelha à antiga normalidade, anterior à pandemia".
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O problema da positividade: "Pesquisadores descobriram que as avaliações em sites como Yelp e Amazon são extremamente positivas –algo que acreditam que torna as avaliações com estrelas não confiáveis. (...) Mais de 80% das avaliações online avaliam os itens com quatro ou cinco estrelas. Isso cria o que eles chamam de 'problema da positividade' para os consumidores que desejam usar a classificação por estrelas como um guia de onde jantar ou fazer compras".
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A próxima geração de hackers? Serão as máquinas. "Como gênios astutos, as inteligências artificiais vão realizar os nossos desejos e, em seguida, hackeá-los, explorando os nossos sistemas sociais, políticos e econômicos como nunca antes."
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Rolou nesta semana o m-v-f reloaded, festival dedicado vídeos musicais. O evento faz ainda o lançamento de NFTs de Kunumi MC, Jadsa e ATR, assinados pelos artistas visuais Dejumatos, Gabriel Rolim e Matheus Leston.
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O escritor e músico angolano Kalaf Epalanga e os rappers brasileiros Rico Dalasam e Zudizilla estão entre os participantes do Fixe, festival que reúne gente de diversas áreas artísticas (de países de língua portuguesa).
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"A cultura pop está sempre fixada na juventude, mas nenhum gênero pop tem mais dificuldade em cuidar de seus veteranos do que o hip-hop", afirma este artigo.
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"Não harmonize vinho com tristeza", escreve a Isabelle Moreira Lima. "Agora é momento de cautela, afinal fica fácil exagerar quando o bar (de casa) não fecha, quando todos os dias parecem iguais e, principalmente, quando há mágoas demais a serem afogadas".
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Moda e pandemia: Cinco tendências que vieram para ficar.
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Seis roteiristas (incluindo Sofia Coppola e Darius Marder, este de O Som do Silêncio) contam quais foram os finais mais difíceis que já escreveram.
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O El País lista "21 pôsteres de Hollywood que são prodígios do design".
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Criado em 2011 e concorrente direto do TikTok, o Kwai é uma rede social de compartilhamento de vídeo que está investindo forte no Brasil. Fez parcerias, por exemplo, com Band e com Flamengo, e está montando equipe local, comandada por uma executiva contratada do Pinterest.
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Jóias arquitetônicas africanas.
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Um raio-x da Technics SL-1200.
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Um uísque que foi engarrafado em algum ano entre 1762 e 1802 vai a leilão.
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Pessoas que comem a mesma comida todos os dias.
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Mapas históricos do mundo.
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O pássaro mais instagramável –seguindo cientistas.
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The Covid Art Museum: Site (visualmente muito bem feito) criado por espanhóis para exibir trabalhos produzidos durante a pandemia.
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Movie of the Night: Site que te recomenda filme ou séries de acordo com os filtros que você coloca (gênero, ano, idioma etc.).
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Radio Garden: Passe o mouse por um ponto do planeta e ouça uma rádio daquele lugar.