O cachorro-quente e um dos problemas das IAs
E conheça ainda três séries, um filme, um DJ set e um disco que estamos vendo e ouvindo agora
Esta é MargeM, uma newsletter que, desde 2019, faz análises e curadorias com o que de mais interessante acontece na cultura digital e no entretenimento. Acompanhe a gente também no Instagram e no Spotify.
Nesta edição #287, você vai encontrar:
- Como um jornalista enganou as IAs em 20 minutos;
- Uma versão maravilhosa de “DTMF”, do Bad Bunny, em japonês;
- Dicas de séries, filme, DJ set e disco.
Boa leitura!
🤖 Há mais de duas décadas, 9 em cada 10 sites noticiosos e não-noticiosos passaram a usar técnicas de SEO (sigla para search engine optimization, ou otimização para serviços de busca) para tentar fazer com que esses sites aparecessem lá no alto quando alguém fazia uma pesquisa no Google sobre um determinado assunto.
Essas técnicas incluem hierarquização de informação, hiperlinks conectando outros artigos e uso de certas palavras (como “entenda”, por exemplo). Se por um lado até ajudava a deixar as matérias mais claras e didáticas, por outro atrapalhava a fluidez do texto e fazia com que os sites ficassem muito parecidos entre si. Mas funcionava. Levava cliques para os sites.
👉 Nesta era em que o “dar um google” está sendo substituído por “dar um chatgpt”, sites, jornalistas e empresas de todos os tipos estão desenvolvendo técnicas para fazer com que seus nomes e produtos tenham mais chances de aparecer nas respostas fornecidas pelas IAs.
Este jornalista provou como isso pode ser feito facilmente, em menos de 20 minutos.
“Fiz o ChatGPT, as ferramentas de busca com IA do Google e o Gemini dizerem aos usuários que eu sou muito, mas muito bom em comer cachorros-quentes. (…) Mudar as respostas que ferramentas de IA dão a outras pessoas pode ser tão simples quanto escrever um único post de blog bem elaborado em praticamente qualquer lugar da internet.”
Ele ouviu um especialista em SEO que afirma que, sim, é mais fácil “enganar as IAs do que era enganar o Google dois ou três anos atrás”.
👉 O jornalista conta como fez para ludibriar as IAs de que seria um campeão mundial em comer cachorro-quente. Vale ler. E ele reflete:
“Ferramentas de IA apresentam mentiras com o mesmo tom de autoridade que apresentam fatos. No passado, os mecanismos de busca obrigavam você a avaliar as informações por conta própria. Agora, a IA quer fazer isso por você. Não deixe seu pensamento crítico desaparecer.”
As IAs parecem descontroladas, mas tem jornalista que está sabendo lidar com essa tecnologia. É o que aponta esta matéria do Nieman Lab, que ouviu 45 repórteres e editores.
“Muito mais freelancers do que eu esperava escreveram dizendo que a IA generativa os ajudou a se tornar mais organizados e eficientes. Ainda havia alguns céticos. Mas o quadro geral foi o de uma indústria que adota a IA generativa aos poucos, ainda que com cautela e ressalvas.”
📺 É a lógica da TV a cabo sendo levada ao streaming. O YouTube lançou nos EUA um pacote que dá direito a acessar canais como ESPN, NBC Sports, CBS Sports, TNT, TBS, USA Network, NFL e NBA TV, entre outras. Por US$ 64,99.
🎶 Bad Bunny no Brasil, Bad Bunny no Grammy, Bad Bunny no Super Bowl, Bad Bunny em todo lugar, até no Japão. Esta versão de “DtMF” em japonês é das coisas mais surpreendentemente legais deste ano.
Três séries, um filme, um disco e um set.
“De Belfast ao Paraíso”, Netflix
De Lisa McGee (a mesma de “Derry Girls”), está série em oito episódios é um mistério com tintas de comédia em que três amigas tentam desvendar a morte de uma colega que fazia parte do grupo da escola quando eram adolescentes.“O Roubo” - Prime Video
Um grupo de ladrões decide invadir uma empresa para empreender um roubo bilionário. A premissa não é das mais originais, mas a série segura bem o roteiro em apenas seis episódios.“A Rainha do Xadrez”, Netflix
Muito bom documentário que resgata a história de Judit Polgár, húngara que, aos 15 anos e quatro meses, tornou-se a pessoa mais jovem a conquistar o título de Grande Mestre do xadrez. O filme narra a relação com o obcecado pai, com as duas irmãs que também jogavam xadrez e a batalha de Judit para tentar vencer o multicampeão Garry Kasparov.DJ Omoloko, RA.1025
Este DJ criado em Belo Horizonte faz uma minuciosa pesquisa que parte da house de Chicago e faz um passeio pelo mundo, visitando até o kwaito sul-africano. Aqui, para o site Resident Advisor, constrói um set tão emocional quanto ensolarado.“Singin' to an Empty Chair” - Ratboys
A banda não é exatamente nova, mas este sexto disco pode fazer com que ela vire um nome grande. Rock emocionante, criativo, com letras que fogem do óbvio e um senso melódico que percorre da primeira à 11ª faixa.“Unfamiliar” - Netflix
Esta produção alemã remodela as histórias de espiões ao colocar uma tensão familiar na história de um casal de agentes que enfrenta um antigo inimigo ao mesmo tempo em que lida com questões relacionadas à filha adolescente.
💔 Saber quando um casamento começa até que é fácil, não? Mas e quando começa um divórcio?
É o que conta esta escritora neste artigo.
O texto é espetacular e está cheio de frases certeiras e deliciosas:
“Divórcio é assunto para escritores. Você pode pintar um casamento, mas não um divórcio”;
“A história do meu divórcio não tem vilões. Eu carreguei a arma e meu marido puxou o gatilho”;
“O divórcio é uma espécie de morte sem ritual de despedida. É ao mesmo tempo um começo e um fim – só que com um desfecho misterioso e indeterminado”;
“As pessoas pensam que o divórcio é um fracasso. Para mim, foi uma conquista”.
→ O Brasil sediou 366 festivais de música em 2025.
→ 13 covers “transcendentais” dos Beatles feitos por músicos negros.
→ O diretor chileno Pablo Larraín está lançando uma plataforma de streaming que funciona basicamente como uma locadora de vídeo em formato digital: as pessoas pagam por filme visto, sem assinatura.
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→ “Agora somos todos do poliamor. Você, eu e a inteligência artificial.”
→ As 75 capas de livros mais legais (em língua inglesa) da última década.
→ People vs Big Tech. (“Um movimento que luta para derrubar o modelo de negócios predatório das gigantescas corporações de tecnologia e mudar a internet para melhor.”)
→ WalkmanLand. (“Uma homenagem aos há muito esquecidos tocadores de música portáteis dos anos 80 e 90: os Walkmans.”)
→ Birth Lottery. (“Se você fosse uma das 251 pessoas que estão nascendo neste minuto, em que lugar do mundo cairia? Que tipo de oportunidades teria?”)








curadoria sempre impecável!