🤖 O gigante acordou (na tecnologia)
O Google parece estar tomando a dianteira na corrida das IAs. E como "O Agente Secreto" está tomando corações e mentes do mundo
Esta MargeM é uma newsletter de cultura digital e entretenimento. Mas vai além: há conteúdos diários sendo produzidos no Instagram e playlists saborosas no Spotify.
Vamos a esta MargeM #280 e obrigado pela leitura!
🤖 O gigante acordou.
O gigante, no caso, é o Google.
Depois do lançamento do ChatGPT, há três anos, e da chegada de concorrentes como Anthropic, DeepSeek e Perplexity, havia a impressão de que o Google estava na rabeira nessa corrida pelo desenvolvimento de IAs.
“A gigante da internet lançou novos softwares de IA e fez acordos que tranquilizaram os investidores de que a empresa não perderá facilmente terreno para a criadora do ChatGPT, a OpenAI e outros concorrentes.
O modelo mais recente e multifuncional do Google, o Gemini 3, recebeu elogios imediatos pelas capacidades de raciocínio e programação, além de lidar bem com tarefas específicas que costumam confundir chatbots de IA. A divisão de nuvem do Google, antes vista como coadjuvante, vem crescendo de forma constante, impulsionada em parte pela corrida no desenvolvimento de serviços de IA. Há também sinais de aumento na demanda pelos chips de IA do Google.”
Aqui (com paywall) e um trecho aqui (sem paywall).
👉 Ainda:
“Além das projeções sobre a chegada da inteligência artificial geral e a substituição de milhões de trabalhadores humanos, há uma questão mundana: quanto tempo os chips de IA vão durar.” (Aqui ou aqui.)
🍳 A IA está devastando tudo. Com os conteúdos sobre comida, não seria diferente. (Aqui, um trecho sem paywall.)
Bots estão inundando as redes e plataformas com resumos ou mesmo “remixes” de receitas criadas por cozinheiros humanos. Estão atraindo tráfego e, por tabela, está despencando o engajamento dos criadores do mercado de gastronomia.
As receitas não são apenas cópias: são resumos ruins, com proporções erradas de ingredientes; ou são remixes que não funcionam de duas ou mais receitas.
“Em 2016, no Aeroporto de Changi, em Singapura, um empresário malaio chamado Raejali Buntut perdeu um voo para Kuala Lumpur. Ele havia adormecido em um lounge do aeroporto. Em vez de remarcar a passagem, decidiu circular por outras salas VIP, passando de uma para outra, chegando a um total de 31. Ele permaneceu no aeroporto por 18 dias.
Buntut conseguia entrar nos lounges usando um Priority Pass, um benefício de seu cartão de crédito Citi, e falsificava bilhetes de embarque. Uma funcionária de uma das salas acabou alertando as autoridades. Buntut foi condenado por fraude e enviado para a prisão, um lugar, por definição, muito parecido com uma sala VIP, mas emocionalmente muito diferente.”
Esta história espetacular aparece nesta reportagem deliciosa que esmiúça a proliferação de lounges/salas VIP nos aeroportos pelo mundo.
📺 Parei de ver “Stranger Things” (que estreou a última temporada no dia 26, na Netflix) na segunda temporada. Achei a história meio esdrúxula e as inúúúúmeras referências à cultura pop dos anos 1980 (”E.T.”, “Goonies”, “Aliens”, filmes do John Hughes etc.) meio sem vergonha demais.
Mas, este bom crítico argumenta, “Stranger Things” faz sucesso justamente porque define o que é o entretenimento na era do algoritmo.
“‘Stranger Things’ é bem-sucedida em parte por causa da maneira como evoca a cultura pop que o público já ama. Em outras palavras, é o equivalente humano do algoritmo, o mecanismo que passou a definir a experiência e a estética do streaming.”
👉 No assunto séries e algoritmos, parece que Apple TV, Prime e Netflix trocaram figurinhas para produzir três minisséries que têm muito em comum: suspense psicológico; personagens femininas com relações interpessoais perigosamente conflituosas no centro da narrativa; ação construída em cima de paranoia e vingança.
Falo de “Disclaimer” (com Cate Blanchett; Apple TV); “A Namorada Ideal” (com Robin Wright; Prime Video) e “O Monstro em Mim” (com Claire Denis; Netflix)
Há outro ponto em comum. As três começam muito bem, mas no penúltimo ou último episódio o roteiro descarrila com uma sucessão de situações que são inverossímeis mesmo para quem vive neste surrealismo político-social chamado Brasil.
🎥 E “O Agente Secreto”?
O filme do Kleber Mendonça Filho estampa a capa da Cahiers du Cinéma deste décembre (oh là là).
A campanha por uma vaga em categorias como filme internacional e ator (Wagner Moura) está a todo vapor. E, pelas críticas que estão saindo lá fora, o longa tem grandes chances de estar concorrendo a alguma(s) estatueta(s) no próximo 15 de março.
Separei, de lá de fora e daqui do Brasil, algumas críticas/reportagens aqui:
New Yorker - (“O Agente Secreto”) “É um thriller político repleto de vida; ambientado no Brasil dos anos 1970, parece estar enraizado igualmente na memória e na pesquisa, na imaginação estética e na consciência política”.
Daily Beast - “Um filme explosivo que vibra com suspense, mesmo enquanto colore a ação com humor, horror e fantasia surrealista, tudo concebido para capturar a loucura irreal de uma sociedade figurativamente (e às vezes literalmente) sufocada pela ditadura”.
New York - “‘O Agente Secreto’ e o ano dos filmes sobre resistência”.
Inácio Araujo - “Kleber Mendonça Filho, como em outros de seus filmes, observa os fatos e pessoas passados como mistérios. Ele se preocupa em especial com o esquecimento, ou antes, o apagamento.”
Folha de S.Paulo - “‘O Agente Secreto’ capta a atmosfera de um Brasil sem rumo”.
Estadão: “Filme entrou na corrente sanguínea da sociedade e ultrapassou a fronteira do entretenimento para se colocar como interpretação do País”.
Folha de S.Paulo - “‘Vou para Hollywood, se Deus quiser’, diz Tânia Maria, 78, cotada ao Oscar por ‘O Agente Secreto’”.
The Guardian - “À medida que o filme avançava, encontrei-me comparando-o a Sergio Leone, ao ‘Profissão: Repórter’ de Antonioni em seu progresso tranquilo até algum desfecho violento terrível, a Elmore Leonard via Quentin Tarantino, ao ‘Cidade de Deus’ de Meirelles e Lund e a ‘Roma’ de Alfonso Cuarón.”
“O império Zig: boate da vez começou com um Uno e conquistou Charli XCX.”
Quando um clube gay de música eletrônica é tema de matéria da Exame é porque alguma coisa está realmente rolando.
A reportagem da Exame entrevista os donos da boate que está fazendo história na cena de São Paulo, com três endereços na região central da cidade. A Zig ensina como um clube pode ser divertido, ousado, desafiador e criar forte conexão com seu público.
🎶 Três músicas para você ficar mais feliz:
→ Hercules & Love Affair - “Someone Else Is Calling”.
Disco-new-wave festiva e colorida.
→ Automatic - “Black Box”.
Pós-punk viajante deste trio feminino que quase nunca erra.
→ Obelga (com Ana Frango Elétrico) - “Descansar É Pecado”.
Boogie dançante e afiado deste talentoso rapper de Uberlândia.
📸 As fotos desta edição da MargeM são da grande Agnès Varda e estão na expo “Fotografia AGNÈS VARDA Cinema”, que abre no sábado (dia 29/11) no IMS-SP. A mostra tem mais de 200 fotos feitas principalmente entre as décadas de 1950 e 1960, clicadas em lugares como China, Cuba, França e EUA, entre outros.
→ O Business Insider está demolindo o paywall que impedia não-assinantes de acessar as matérias. Não ajudou a aumentar a audiência e diminuiu bastante o tráfego.
→ “Como a economia dos EUA ficou dependente dos gastos com IA.”
→ “A Caixa de Pandora está aberta: Enquanto a IA domina as discussões, a Grimes se destaca como o único nome conhecido do público a abordá-la de forma ponderada.”
→ Como Mark Wahlberg se tornou o “rei do streaming”.
→ Rian Johnson, o diretor de “Knives Out: Entre Facas e Segredos”: “Acredite ou não, 90% do trabalho de criar um mistério em um filme consiste em torná-lo o mais simples possível”.
→ A collab da A24 com a Barnes & Noble. (“Nove livrarias contarão com uma área personalizada e com identidade visual própria, curada pela A24, com novas unidades previstas para 2026. Trata-se (...) do primeiro ponto físico de varejo da A24. Os espaços dentro da Barnes & Noble vão comercializar de Blu-rays e vinis a colecionáveis e mercadorias exclusivas”.)
→ “Se você responder sim a qualquer uma dessas 5 perguntas, a ciência diz que você é mais inteligente emocionalmente do que imagina.”
→ Cloudhiker. (“Descubra os sites mais interessantes, estranhos e incríveis da internet.”)
→ Muzik Magazine Archive. (Se você curte música eletrônica ou a cultura que envolve raves e clubes, isso aqui é ouro. Um arquivo com as edições da revista britânica em pdf.)
→ Stranger than Kindness: Uma exposição virtual de Nick Cave. (Mostra imersiva com objetos e escritos do cantor australiano.)







