Rede social que dá dinheiro, mas não fama

Esta é a MargeM 154. O paradoxo do Snapchat: a rede até que rende uma grana, mas não dá fama. O Dave Eggers contra a Amazon. As Kardashians e o fim de uma era para a cultura pop. A série dos Gêmeos. Brian Eno + Rick Rubin. E mais.



O que rola com o Snapchat? A rede tem investidores, tem dinheiro (já chegou a distribuir US$ 1 milhão por dia a criadores), mas está perdendo relevância cultural. Enquanto o TikTok faz um monte de gente virar famosa da noite pro dia, no Snapchat, mesmo aqueles que estão ganhando grana no app, permanecem anônimos.
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Os usuários do TikTok criaram uma nova versão do "Rickrolling" –com uma música do Weezer.
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Outro lado: muitos jovens criadores do TikTok estão lutando com problemas de saúde mental.


O Dave Eggers, autor de livros como o ótimo Uma Comovente Obra de Espantoso Talento, vai publicar em outubro, em capa dura, The Every. O de capa comum sai seis semanas depois. O detalhe: o de capa dura será vendido exclusivamente em lojas independentes –ou seja, não estará na Amazon.
Ele conta: “Não gosto de valentões. A Amazon tem chutado areia na cara das livrarias independentes há décadas”.



Kamo Mphela - Nkulunkulu
Das melhores coisas que ouvi no ano. Esta cantora sul-africana de 21 anos ficou bem famosa ao postar vídeos em que fazia coreografias de dança. É um dos principais nomes do amapiano, um sub-gênero da house nascido na África do Sul.


Na quinta-feira (11) foi ao ar o último episódio de Keeping Up With the Kardashians no canal E!. O reality com a família Kardashian estava na emissora desde 2007. Agora, elas saem da TV paga e vão para o streaming –até o final do ano, estreiam um programa na Disney-Hulu.

O encerramento não é pouca coisa. Goste ou não, as Kardashian são responsáveis por muitas das transformações que ocorreram na cultura pop nos últimos dez anos: no universo dos realities, na cultura influencer, na relação entre celebridades e marcas, na maneira como as celebridades utilizam a fama para impulsionar produtos culturais.

"O programa reinventou a cultura pop e mudou a definição de celebridade", escreve Elizabeth Wagmeister na Variety. Ela lembra que quando o reality estreou, elas não tinham grana para contratar maquiadores e cabeleireiros.

Depois de tantos anos, o programa, quem diria, foi sombreado pela presença ostensiva de cada uma delas nas redes sociais. Com as irmãs e a mãe exibindo praticamente cada minuto da vida no Instagram, por que alguém iria esperar uma semana para ver um episódio na TV paga?

(Além disso, o show deu origem a pelo menos 12 spin offs, como Kourtney & Kim Take New York e Khloe & Lamar.)

"A família expandiu tanto os seus tentáculos que o reality show –onde tudo começou– ficou parecendo algo sem importância", argumenta Alyssa Bereznak no Ringer.

O Hollywood Reporter afirma que o reality mostrou uma "família que se transformou diante de nossos olhos em especialistas em marketing de si mesmas".


Nesta sexta (11) estreou a segunda temporada de Lupin, série francesa que é um dos grandes hits da Netflix nos últimos meses. Em entrevista à Folha, o ator Omar Sy diz que nesta segunda temporada há um maior foco na relação do personagem principal, Assane Diop, com o filho.

"Na primeira (parte) temos Assane Diop como Lupin e na segunda, como pai. Agora ele tem que reagir ao que está acontecendo. Então suas ferramentas são outras. São mais emocionais e violentas, enquanto na primeira eram mais reflexivas."

O Hollywood Reporter diz que a série tem alguns buracos e exageros no roteiro, mas que o resultado final é "satisfatório".

E, para o NME, Lupin retorna bem "estilosa" e Omar Sy é uma "máquina de carisma".
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E a Netflix avança –não no mercado de streaming, mas no de roupas e acessórios: acaba de lançar uma loja online.


Cats of Brutalism.


A yoga se adapta ao modelo online e sua prática cresce durante a pandemia –como uma maneira de aliviar a exaustão e o estresse.
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E pesquisas apontam que o contato com a natureza, mesmo em pequenas doses diárias, melhora a qualidade de vida e é um fator de combate ao estresse. "Um estudo recente envolvendo cerca de 20 mil pessoas descobriu que aqueles que passavam pelo menos duas horas por semana em uma área verde eram significativamente mais propensos a relatar boa saúde e maior bem-estar psicológico."
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Cinco passos para começar a meditar durante o dia e conseguir dormir melhor.


Coisas legais por aí

Segredos. Saiu na quinta o primeiro episódio (são quatro ao todo) da série documental idealizada pelos Gêmeos em parceria com a Pinacoteca de São Paulo. Com convidados (como KL Jay, Edi Rock, Nelson Triunfo, Thaíde, entre outros) os irmãos falam sobre a história do hip hop paulistano –e a própria relação deles com o movimento (eles eram B-boys e dançavam na praça São Bento).
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Making 15 liters of Fresh Lemonade and Country Style Chicken Breast. Uma mulher prepara uma limonada enquanto o marido cuida das flores. E tem um cachorro que fica provocando um gato e ovelhas. Isso numa zona rural no meio do Azerbaijão. São 19 minutos de um vídeo idílico, delicioso e relaxante –como praticamente tudo o que está no canal Country Life Vlog.
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Broken Record - Brian Eno. Broken Record é o podcast que o produtor Rick Rubin tem com o jornalista Malcolm Gladwell. Neste episódio, Rubin troca ideia com o Brian Eno, dos mais inovadores produtores da história da música. Eno lembra que, quando morava num lugar ultra-barulhento em Nova York, foi a época em que fazia a música mais silenciosa possível, e fala sobre a sensação "reconfortante" de ouvir músicas da Beyoncé através de uma parede. (Está em inglês, mas dá pra colocar a legenda.)
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Marmita. Newsletter feita pela esperta agência Dabba. Disparada toda semana, tem bastante coisa legal de hip hop, tendências, ilustrações, arte, publicidade e mais.
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Jubillee. Novo disco da Michelle Zauner, mais conhecida como Japanese Breakfast. Dez faixas pop muito bem feitas, que exalam esperança e diversão. Um disco que combina leveza com sofisticação.
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caroline - Skydiving onto the Library Roof
Música deliciosamente esquisita desta banda de oito integrantes que mistura pós-punk e folk com muito drama.


O YouTube pode virar o grande financiador da música no mundo.
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Saiu a programação do (sempre) ótimo festival de documentários musicais In-Edit. Neste ano, rola entre os dias 16 e 27 deste mês. Tem filmes sobre o Secos & Molhados, sobre como o hip hop usou a internet para crescer, sobre sintetizadores.
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Nunca tinha ouvido falar na série Ships of the Northern Fleet. Mas ela existe –quer dizer, não existe realmente, mas, sim, na cabeça de milhares de fãs. A "série" foi criada por um cara no TikTok, que tinha a ideia de fazer "uma 'experiência alucinatória' ao compartilhar suas memórias e momentos favoritos de um programa 'que nunca existirá' e que, de acordo com a construção imaginária proposta, havia sido cancelado antes do tempo". Agora, principalmente no TikTok, muita gente tem levado a ideia adiante.
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O BuzzFeed está em conversas para arrecadar US$ 200 milhões em financiamento. O dinheiro seria usado para comprar um site de cultura-lifestyle Complex.
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"Um ano depois do quadradinho preto, o que mudou na moda?", pergunta reportagem da Elle. Muito pouco. "Grande parte do mercado permanece analfabeto racial."
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Empresários apostam no mercado da cannabis em meio a debate legal –mercado que, estima-se, deve movimentar US$ 62,7 bilhões em 2024. "Se aprovado, projeto de lei que propõe o cultivo para fins medicinais e industriais deve aquecer a demanda no país."
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CubaneCuir: arquivo busca reunir a memória LGBTI de Cuba e do exílio.
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Falar palavrão pode gerar uma sensação de alívio, até de bem-estar. A ciência explica: isso ocorre porque falar palavrão aumenta os níveis de estresse e, por tabela, nos ajuda a lidar com a dor.
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Cinco dicas para driblar a "positividade tóxica".
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O que é o Princípio de Peter, segundo o qual as vagas tendem a ser ocupadas por "incompetentes".
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Em vídeo: a inexplicável viagem de 15 elefantes selvagens por mais de 500 quilômetros na China (incluindo um trecho em uma cidade de nove milhões de habitantes).
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O fotógrafo brasileiro Victor Moriyama foi a Olinda fazer um ensaio sobre os surfistas de ônibus da cidade. O resultado está no New York Times.
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As cidades onde se vive melhor no mundo. (Spoiler: das dez primeiras, seis estão na Oceania, duas em um país da Ásia e duas em um país da Europa.)
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