Romances de millennials ou romances femininos

MargeM 164 na área. O novo livro da Sally Rooney. Quando cantoras tristes deixam de ser tristes. A mente por trás do sucesso de Succession. Uma nova epidemia silenciosa. E mais.


Está chegando. Um dos principais fenômenos literários recentes, a irlandesa Sally Rooney publica o novo livro, Belo Mundo, Onde Você Está, em 7 de setembro. Rooney apareceu aqui na MargeM pela primeira vez em abril de 2019. O segundo livro dela, Pessoas Normais, havia acabado de sair nos EUA (o primeiro, Conversas entre Amigos, é de 2017). Na época, li o livro rapidamente e gostei bem. E escrevi aqui que muita gente estava impressionada com a prosa de Rooney.

Um trecho daquela MargeM de abril:

"Ela já foi chamada de ‘primeira grande escritora millennial’. Conversas entre Amigos foi descrito pelo editor da escritora como 'Sallinger para a geração Snapchat'. O Guardian afirmou que Rooney está 'definindo uma geração'. Para a New Yorker, 'a qualidade do pensamento (de Rooney) elimina a necessidade de floreios retóricos. As linhas mais devastadoras de Rooney são frequentemente as menos afetadas'. Já uma repórter da Elle escreve que Rooney tem 'uma habilidade que muitos escritores consagrados ainda não possuem, que é a capacidade de descrever perfeitamente nosso uso de mídias sociais, nossa conectividade –e uma consciência de seus efeitos sobre nossa imagem, identidade, relacionamentos e cérebro– dentro de suas tramas e conversas sem parecer algo forçado ou gratuito'.

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Mas Sally Rooney (ainda bem!) não é uma unanimidade. Este artigo nada favorável do Los Angeles Review Of Books é bem bom, enquanto a Lauren Oyler disseca sem dó Normal People em um texto que ficou famoso.

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Sally Rooney sabe envolver o leitor. Pessoas Normais já ultrapassou o 1 milhão de livros vendidos e foi transformado em uma ótima série.

Em Belo Mundo, Onde Você Está, Rooney permanece no mesmo território já explorado nas duas obras anteriores (a história gira em torno da relação de quatro jovens amigos/namorados/casos), e o livro já sai como best-seller, tanto que o Guardian a entrevistou e a chamou de "a mais comentada escritora de sua geração". Ao jornal inglês, ela diz: "Não penso em meus romances como ‘romances de millennials' mais do que penso neles como ‘romances femininos’".

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Sobre o novo livro, Caleb Crain escreve na Atlantic: "Suspeito que muitos leitores sentirão falta da velocidade e da economia implacáveis ​​que Rooney demonstrou em seus primeiros dois livros, mas ela continua sendo um grande talento. Entre os prazeres aqui estão as variações ousadas de perspectiva".

Aqui (em inglês), um trecho do novo livro.


Sans Soucis - On Time for Her
Cantora britânica com ascendência italiana e congolesa que não distingue fronteiras entre o r&b, o rap, a eletrônica e o pop.


O que acontece quando artistas tristes ficam felizes? A pergunta é o título de um artigo a respeito da (quem mais?) Lorde.

"A música triste é como um cobertor confortável. E quando um músico muda o clima de suas músicas, pode parecer que aquele cobertor confortável foi abruptamente arrancado, mesmo que a sua música antiga ainda exista."

Continua: "A crítica Lucy Harbron, que deu a Solar Power nota 9/10, sugere que o Spotify é o culpado pelo nosso desejo de definir imediatamente o humor de um álbum. 'Nós categorizamos muito os artistas', ela observa. 'Com o Spotify, muito do nosso consumo de música é reproduzido com base em emoções, então queremos tudo limpo e coeso em vez de ouvir um disco do início ao fim e passar por uma série de emoções nele'."


"Em 12 de setembro de 1981, um evento marcou a história da música pop no Brasil: a derrota da canção Planeta Água, de Guilherme Arantes, para Purpurina, interpretada pela cantora Lucinha Lins, no festival MPB Shell, transmitido pela TV Globo. Na época, pouca gente percebeu, mas aquela disputa simbolizava um racha na música brasileira: de um lado, o novo pop das rádios FM; do outro, a velha MPB das AMs."
A história completa.


Tem um perfil no Instagram dedicado a cavoucar fotos do rock dos anos 1990, como esta da Bjork em 1993.


A terceira temporada da excelente Succession começará a ser exibida em outubro. A New Yorker publica um longo e ótimo perfil do Jesse Armstrong, o cara que criou a série.

O texto afirma que o autor não se preocupa em criar situações "baratas" para que os personagens ganhem a empatia do público –"Armstrong se recusa a impor a eles o tipo de crescimento pessoal artificial que promove um vínculo com a audiência".

"Suas ambições com Succession são movidas não por uma fascinação voyeurística pelos ricos –ou por um desejo de expor as perversidades da desigualdade–, mas por um desejo de contar, por meio de uma dinastia familiar da mídia contemporânea, uma história mais universal sobre poder e relações familiares, e para mostrar como essas forças podem afetar a humanidade de um indivíduo."


Com transtornos psicológicos em alta, o Brasil vive "uma segunda epidemia silenciosa e praticamente ignorada", afirma reportagem da Gama que ouviu psicólogos e psiquiatras.

Um desses profissionais diz que "além de um aumento significativo nos casos de depressão e ansiedade, boa parte chegou com distúrbios que podem ter sido causados ou acentuados pela pandemia e o isolamento, como insônia, síndrome do pânico, uso de drogas e até estresse pós-traumático".

E tem crescido o número de casos de depressão entre crianças e adolescentes. Segundo um psiquiatra, porque estão sendo "forçados a falar com colegas e professores principalmente por meio de conferência ou nas redes sociais, que favorecem falhas na comunicação, além das maiores dificuldades de aprendizagem".

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O que vamos levar da pandemia na memória?

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Como lidar e se preparar para as decepções.


Coisas legais por aí


Shiva Baby. Danielle é uma judia universitária que tem uma vida paralela como sugar baby de um cara. A sua vida muda de repente durante uma cerimônia de um funeral judeu, em que encontra uma antiga namorada e o seu sugar daddy. Engraçado e tenso.

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Victoria. Muitos diretores usam o plano-sequência como truque para disfarçar um roteiro capenga ou falta de criatividade em montar situações e emoções. Não é o caso deste filme alemão em que a câmera persegue Victoria, uma jovem espanhola que vive em Berlim e se envolve com um grupo de ladrões alemães. 

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A Empregada (The Housemaid). Meio thriller, meio soft-porn, meio drama a respeito de machismo e desigualdade. Uma mulher é contratada como empregada por um casal de ricos que já tem uma filha (e estão esperando gêmeos). O dono da casa s envolve com a empregada. A premissa está longe de ser original, mas o coreano Sang-Soo Im desenvolve a trama com estilo todo próprio.

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Adult Material. Bela minissérie que tem como pano de fundo o cinema pornô. O foco aqui é uma atriz já mais velha e suas relações com uma atriz iniciante, com o dono da produtora e com a própria família.


Caribou - You Can Do It
Quando música e clipe são lindos.


Em 2008, um grupo de jovens invadiu o prédio da Bienal de SP e pichou algumas paredes do local. A única presa foi Caroline Pivetta, que chegou inclusive a ser condenada. Diógenez Muniz e Douglas Lambert dirigem um curta que conta a história de Caroline e que será exibido em festival na Califórnia agora em setembro.

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Bebé Salvego tem 17 anos, nasceu em Piracicaba (SP) e acaba de lançar um disco que faz uma bela costura nada óbvia de r&b, rock e pop. "Apesar de ser um disco Indie, ele tem a minha raiz, fui entendendo que tem um pouco do Jazz. Tem todas essas conexões da improvisação das melodias e coisas do Hip Hop também", diz ela ao Monkeybuzz.

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Por US$ 5.800, esta coleção de vinis do Kiss foi o item mais caro vendido no Discogs em junho de 2021.

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"Tumor no joelho me levou a fumar maconha e virei influenciadora canábica."

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Livro A República das Milícias vai virar podcast com produção Globoplay.

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Busayo Olupona é uma estilista nigeriana adorada por Madonna e Lupita Nyong'o. Ela tem um estilo bem singular e neste perfil tem entrevista com ela e boas fotos.

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O auge e a queda da sapatilha. "O modelo é um básico da moda, salvou os pés das mulheres em 2010, mas ficou 'acessível demais'. Por que há quem ache o calçado cafona?"

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Com textos que tratavam de sociedade, costumes e feminismo, Bari Weiss era uma das colunistas mais lidas do New York Times. Saiu para fazer uma newsletter no Substack. Hoje está ganhando mais de R$ 4 milhões por ano.

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O imóvel mais popular do Airbnb é uma pequena casa em formato de cogumelo. "A Cúpula Cogumelo é a propriedade mais reservada e desejada no Airbnb, superando outras 5,6 milhões, incluindo uma casa em forma de elefante, uma caverna na França e um castelo escocês do século 12. O que o torna tão popular? Por que as pessoas se aglomeram aqui? E como a fama desta pequena cabana impactou a vida do proprietário? Em uma tarde de agosto, fui lá para descobrir."

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Tem uns caras ganhando uma grana enorme no mercado underground de criptomoedas do Líbano.

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E outros fazendo sucesso como guias turísticos no TikTok.

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No Japão, conseguiram produzir um bife Wagyu por meio de impressora 3D.

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Empresas que substituem humanos por robôs deveriam pagar mais impostos?

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A "capital mundial do delivery por drones" é uma cidade na Austrália com 300 mil habitantes. É ali que a Alphabet (holding que controla o Google) está testando o serviço.

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"Eu aprendi a ter sonhos lúcidos. Você também pode."

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O que acontece com a gastronomia de um país quando esse país desaparece? Um ensaio sobre comida e cultura na região da ex-Iugoslávia.

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Uma seleção de sites que relembram como era a web 1.0.

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Bandas cantam a palavra "tonight" em vídeo de 79 segundos.