WhatsApp domina as conversas; e os restaurantes que lembram a Amazon
A ferramenta nos dá a sensação de que sempre tem alguém do outro lado, e cria um ambiente de proximidade permanente
Esta é a newsletter da MargeM, uma plataforma de faz curadoria e analisa o que de mais legal e quente está acontecendo dentro da cultura digital e do entretenimento. Estamos também em outras plataformas:
No Instagram, publicamos posts como este com as melhores séries que vimos em 2025.
No Spotify, montamos playlists como esta em que reunimos algumas das melhores músicas que ouvimos no ano passado.
Agora vamos a esta MargeM #284. Vem com a gente!
Já tinha visto algumas teorias de por que o WhatsApp se tornou um app tão popular. Nenhuma tão precisa quanto a que vi neste (enorme e) excelente artigo.
A ferramenta criada em 2009 e vendida para o Facebook meia década depois não é um meio de comunicação tradicional, que transmite informação entre uma pessoa e outra. É uma ferramenta de comunicação fática: seu objetivo não é a mensagem em si, mas ressaltar a interação e a conexão entre as pessoas.
É, também, uma ferramenta de comunhão – entre familiares, parentes distantes e pessoas não tão próximas. (E, não vamos esquecer: tem muita gente que funciona melhor no remoto do que no presencial.)
Voltando a por que o WhatsApp tem tanto apelo. Trecho do texto que linkei acima:
“O WhatsApp é fático antes de ser qualquer outra coisa. Ele é uma arquitetura da presença. Pisca com sinais de vida, informando quem está online e quando foi visto pela última vez. Pequenos pacotes de dados avisam que o seu amigo está digitando.”
Ou seja, a ferramenta nos dá a sensação perene de que tem alguém do outro lado. O aplicativo está sempre alerta, mostrando quem está online, se alguém está digitando. Assim, cria um ambiente de proximidade permanente.
Mas essa é apenas uma parte do negócio (a mais romântica, né). A outra parte é que o WhatsApp virou uma máquina de fazer dinheiro, e um canal vital para empresas se conectarem com velhos e novos clientes. E a própria Meta usa a ferramenta para incrementar sua IA, e o Brasil virou um “campo de batalha contra OpenAI e Microsoft”.
Outra info legal que aparece no texto e que ajuda a entender por que a ferramenta se espalhou tão rapidamente por diversas regiões. Desde o início, os fundadores se preocuparam em fazer com que o serviço se popularizasse em mercados emergentes. Por isso, contrataram profissionais que falavam português, indonésio e espanhol. Não à toa, hoje Brasil, Indonésia e México estão entre os seis países com maior número de usuários do WhatsApp. (Em primeiro lugar, disparado, aparece a Índia.)
Neste artigo de maio de 2025, o chefe do WhatsApp no Brasil conta que “64% da população brasileira já realizou compras pelo aplicativo e 60% das grandes empresas utilizam a plataforma WhatsApp Business”.
Está rolando uma certa insegurança de creators grandes que atuam no YouTube, devido a uma estagnação ou queda da audiência. Achei que o texto trata menos de uma tendência que veio pra ficar do que de algo factual, mas pelo menos ele traz alguns números e dados que mostram como essa plataforma virou paradigma da comunicação.
O YouTube é acessado por 2,5 BILHÕES de pessoas todos os meses e gera mais de US$ 10 bilhões em receita publicitária a cada trimestre.
O Substack virou quase um sinônimo de newsletter, mas a facilidade para publicar textos faz com que a ferramenta seja usada para outra finalidade: um meio para postar manifestos ou declarações, Como fizeram três ex-presidentes do Banco Central americano e cinco ex-secretários do Tesouro dos EUA, em apoio ao atual presidente do BC dos EUA.
Talvez você tenha visto nas redes perfis postando fotos de dez anos atrás. É a primeira grande tendência ou meme de 2026. Há alguma explicação para isso, além do fato de ser um passatempo inocente?
“As pessoas tendem a sentir nostalgia quando estão ansiosas em relação ao futuro ou quando não têm certeza de qual direção tomar na vida”, diz um psicólogo. E as pessoas tendem a sentir uma nostalgia “especialmente forte” pelo período da juventude em que se sentiam “jovens, livres e cheias de energia”.
Restaurantes que se parecem com os centros de distribuição da Amazon. É a aposta do bilionário Marc Lore, que está investindo US$ 186 milhões na empreitada. O artigo, da Bloomberg, está sob forte paywall, mas aqui vai um resumo:
Lore criou a empresa Wonder Group para transformar restaurantes com tecnologia e automação, como a Amazon fez com o varejo. O sistema da Wonder usa trilhos e tubos automatizados para montar pratos “com precisão e rapidez”. A ideia é que robôs e equipamentos automatizados façam boa parte da refeição, com humanos apenas supervisionando ou cuidando de tarefas que exigem mais habilidade. Com a automação, uma pessoa poderá fazer um pedido que combine uma entrada italiana e um prato principal da culinária japonesa, por exemplo.
Ainda em restaurantes: aparecem alguns dados interessantes nesta entrevista feita com o CEO do IFood. Ele afirma que a empresa conta com 460 mil estabelecimentos cadastrados, e metade são “dark kitchens”. E revela que a companhia vai estrear um serviço chamado Turbo, em que a comida será entregue ao cliente entre 10 e 20 minutos (a comida terá que ser preparada pelos restaurantes em até nove minutos).
A conveniiencia estará garantida. E a qualidade da comida?
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