O nosso 2025 em filmes, séries, livros, discos e shows
"Relay", Samantha Harvey, Wet Leg, "Valor Sentimental", Stefani, "All Her Fault", The Last Dinner Party, "Máscaras de Oxigênio" e, claro, Geese fizeram o ano passado ficar melhor
Esta MargeM é uma newsletter de cultura digital e entretenimento publicada desde 2019. Estamos também no Instagram, com conteúdos que colocamos apenas ali, e no Spotify, com playlists como esta aqui, dedicada a músicas que nos lembram de verão.
Para esta edição #283, vamos dar uma olhada em como foi o nosso 2025. E ++. Boa leitura!
Desde que começou, este 2026 já nos deu:
uma Mega-Sena da Virada;
uma invasão dos EUA à Venezuela para sequestrar NIcolás Maduro;
um incêndio causado por sinalizadores colocados em garrafas de espumante que levou à morte de 40 pessoas e deixou 115 feridas na Suíça;
o prêmio de melhor filme internacional no Critics Choice Awards para “O Agente Secreto”;
uma acusação judicial que afirma que o rapper Drake teria usado dinheiro de um cassino online para inflar números de streaming;
uma vaquinha online feita pelo ator Mickey Rourke para ajudá-lo a pagar os aluguéis atrasados.
E estamos em 7 de janeiro.
Vamos então sair um pouco dessa loucura frenética de 2026 e voltar a 2025. Dentro da cultura, que é um dos assuntos desta MargeM, tivemos excelentes produções no cinema, no streaming, na música e na literatura.
Em meio às polêmicas envolvendo o PL do Streaming, uma das mais legais séries do ano foi a brasileira “Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente” (HBO Max).
Esta minissérie em apenas cinco episódios fala de um assunto que muita gente não conhece ou não lembra: o preconceito sofrido pelas pessoas que contraíam o vírus HIV nos anos 80 e 90.
É sensível e leve no ponto certo. A história é contada a partir de um grupo de comissários de bordo que se arriscam para trazer clandestinamente ao Brasil comprimidos de AZT, o medicamento usado para o tratamento da Aids à época.
Tivemos duas boas surpresas entre as séries: “O Caminho Estreito para os Confins do Norte” (Universal/Prime Video; Claro TV), com Jacob Elordi. Ele interpreta um médico australiano que é enviado à Segunda Guerra e é capturado pelo exército japonês. A série é ambientada em três momentos diferentes: antes da guerra, durante a guerra e décadas após a guerra.
A outra é “All Her Fault” (Prime Video), com Sarah Snook (a Shiv Roy de “Succession”) e Dakota Fanning. O roteiro tem como ponto de partida o desespero de um casal que acha que o filho de 5 anos está com um amigo da escola, mas na verdade a criança foi sequestrada. A história é desenvolvida com habilidade e tem um tom bem feminista.
Entre os filmes, a maior surpresa aqui pra MargeM foi “Valor Sentimental” (do mesmo diretor, Joachim Trier, e com a mesma atriz, Renate Reinsve, de “A Pior Pessoa do Mundo”), que estreou nos cinemas do país no finalzinho de 2025.
A história se apoia na relação de um pai cineasta com as duas filhas (uma delas atriz). Ele retorna à casa da família para tentar fazer um filme inspirado em situações que viveu com a mãe e com as filhas. Trier aborda temas como memória, depressão, desejo, traumas e vínculos afetivos com uma delicadeza, uma ironia e uma precisão emocional que se vê pouco no cinema.
Uma das graaaaandes surpresas do ano (e inexplicavelmente pouco comentado) foi o thriller “Relay - Contrato Perigoso” (disponível para aluguel e compra no Prime Video e na Apple TV). Riz Ahmed está excelente como um misterioso “resolvedor de problemas” que atua entre pessoas que denunciam empresas e as próprias empresas. Dirigido brilhantemente por David Mackenzie, o mesmo de “A Qualquer Custo”.
Já na música o nome do ano, aqui pra MargeM, foi a banda Geese. No início de outubro, soltamos uma newsletter com o título “A banda mais falada do mundo”. O falatório não diminuiu de lá pra cá. Tanto que o Cameron Winter, líder do Geese, foi escalado como uma das atrações do próximo C6 Fest.
Ouvir “Getting Killed”, o terceiro e mais recente disco do Geese, deu a sensação de estarmos diante de uma banda como os Strokes em 2000/2001: quando o rock parecia ser, sim, sexy, fresh, carregado de energia e relevante para o agora. O disco é o retrato de uma geração: hiperconectada, multitarefa, ousada e intuitiva.
Entre os livros, vão ficar na memória “Sobre o Cálculo do Volume”, septologia que está sendo publicada aos poucos pela Todavia em que uma mulher fica presa em um mesmo dia; “Orbital”, em que astronautas divagam sobre a vida; e “O Hipopótamo”, livro sensível e cortante sobre um menino filho de pais separados e que não passaram incólumes pela ditadura militar.
Bem, fiz pequenas listas de coisas legais que vimos/lemos/ouvimos em 2025, sem uma ordem particular.
Séries
“Adolescência” (Netflix)
“All Her Fault” (Prime Video)
“Task” (HBO Max)
“Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente” (HBO Max)
“Best Interests” (não disponível nas plataformas brasileiras)
“Pssica” (Netflix)
“Slow Horses” (Apple TV)
“Tremembé” (Prime Video)
“O Caminho Estreito para os Confins do Norte” (Universal/Prime Video; Claro TV)
“This City Is Ours” (não disponível nas plataformas brasileiras)
“O Estúdio” (Apple TV)
“MobLand” (Paramount)
Filmes
“Relay - Contrato Perigoso” (disponível para aluguel e compra no Prime Video e na Apple TV)
“Hedda” (Prime Video)
“Uma Batalha Após a Outra” (HBO Max)
“Sirat” (estreia nos cinemas em 26 de fevereiro)
“Valor Sentimental” (em cartaz nos cinemas)
“O Agente Secreto” (em cartaz nos cinemas)
“Pecadores” (HBO Max)
“Apocalipse nos Trópicos” (Netflix)
“The New Yorker: 100 Anos de História” (Netflix)
“Extermínio: A Evolução” (HBO Max)
“A Vizinha Perfeita” (Netflix)
“A Hora do Mal” (HBO Max)
Discos
“Getting Killed” - Geese
“Caro Vapor II” - Don L
“Moisturizer” - Wet Leg
“Choke Enough” - Oklou
“Bunmi” - Stefani
“Black Star” - Amaarae
“More” - Pulp
“O Que As Mulheres Querem”- D.Silvestre
“Martemorte” - MonchMonch
“Sentimental Palace” - YMA
“West End Girl” - Lily Allen
“Essex Honey” - Blood Orange
“Sabel, Fable” - Bon Iver
“Big City Life” - Smerz
Livros
“Sobre o Cálculo do Volume” - livros 1, 2 e 3, Solvej Balle (Todavia)
“Orbital”, Samantha Harvey (DBA)
“O Hipopótamo”, Chico Mattoso (Todavia)
“Jardim Quitaúna”, Rodrigo Carneiro (Terreno Estranho)
“Bate Estaca”, Camilo Rocha (Veneta)
“De Quatro”, Miranda July (Amarcord)
“The Secret Public: A Queer History of Pop”, Jon Savage (não publicado no Brasil)
“Brimos À Mesa”, Diogo Bercito (Fósforo)
“Sexo & Funeral”, Diógenes Moura (Martins Fontes)
Shows
Massive Attack, Espaço Unimed
The Last Dinner Party, C6 Fest
Kokoko!, Sesc Paulista
St Vincent, Popload Festival
Stereolab, Balaclava Fest
Nilufer Yanya, Cine Joia
Weezer, Festival Indigo
Celular nas pistas de dança: sim ou não?
Muitos clubes pelo mundo já adotaram uma política de proibição de uso de câmeras de celular dentro de seus ambientes. Esta matéria entrevistou gente do meio, como esta DJ, empresária e promoter, que falou sobre uma recente festa que montou:
“Posso confirmar que a energia é significativamente melhor sem celulares. Parecia uma rave à moda antiga. As pessoas se soltam sem se preocupar com nada, totalmente presentes e vivendo o momento.”
NewJeans é, pra mim, o nome mais interessante do k-pop. O quinteto feminino faz música mais refinada e ousada do que a maioria das bandas do gênero, como as ótimas “Ditto” e “Super Shy”. Mas a banda corre o risco de implodir com apenas três anos de vida, culpa de brigas com a gravadora/agenciadora.
Zohran Mamdani acaba de assumir a prefeitura de Nova York. É um bom momento para lembrar por que a campanha dele foi tão bem-sucedida. Ele não chegou lá por causa de memes espalhados pelo Instagram ou virais distribuídos no TikTok.
O principal estrategista da campanha conta que os posts nas redes de Mamdani foram feitos, sim, para gerar apelo, mas com um conteúdo que tinha efetivamente a ver com as propostas do então candidato. E havia um “exército” de voluntários que iam bater perna em diversos bairros para divulgar as ideias de Mamdani e mostrar quem era ele.
Além disso, não cometeram o erro de outros políticos (como Kamala Harris) que se apoiaram em memes e no apoio estéril de celebridades. Mamdani foi abraçado por algumas celebridades e muitos influencers, mas essas pessoas eram incentivadas a produzir posts que realmente mostrassem as propostas do candidato. Fez a diferença.
A classe média, que desde sempre foi o motor da economia das sociedades capitalistas europeias e americanas, está sendo deixada de lado. Agora, o foco das grandes empresas e organizações são os ricos.
Um dos principais exemplos dessa tandência é a Disney. É o que diz o texto “A Disney e o declínio da classe média americana”. Hoje, uma viagem aos parques da companhia são para os “20% mais abastados das famílias americanas”. Nos anos 50, Walt Disney dizia: “Estendemos o tapete vermelho para a família Jones, de Joliet, da mesma forma que faríamos (com alguns retoques) para os Eisenhower, de Palm Springs”.
Um trecho do artigo:
“Durante a maior parte de sua história, a Disney foi precificada para receber pessoas de todas as faixas de renda, sob o lema “Todo mundo é VIP”. Ao fazer isso, ajudou a criar uma cultura americana compartilhada, oferecendo a mesma experiência a todos os visitantes. A família que chegava em um Cadillac novo enfrentava as mesmas filas, comia a mesma comida e andava nos mesmos brinquedos que a família que vinha em um Chevrolet usado. Naquela época, a grande e próspera classe média americana era o foco das empresas —e estava firmemente no banco do motorista.
Essa classe média encolheu tanto em tamanho quanto em poder de compra –enquanto a riqueza dos mais ricos explodiu– que hoje o mercado mais importante dos Estados Unidos é o dos abastados.”
→ A PJ Harvey montou uma playlist com músicas que “me inspiraram e fortaleceram” em 2025.
→ Um repórter foi ver as gravações da segunda temporada “The Pitt”, série tensa ambientada em um hospital que virou hit na HBO.
→ Vai rolar uma retrospectiva do Hector Babenco na Cinemateca Brasileira.
→ Alguns influencers estão viralizando com conteúdos em que celebram o tédio. Seria uma maneira de recuperar a atenção em meio a uma época hiperconectada.
→ A Amazon transformou a Alexa num website.
→ OpenAi prepara o lançamento de um dispositivo pessoal baseado em áudio.
→ Na Finlândia, o combate às fake news começa na pré-escola.
→ Em muitas casas, os proprietários estimulam seus convidados a deixar os sapatos na porta. Agora, algumas empresas estão obrigando os funcionários a ficar de meia no escritório.
→ Qual é o segredo de um casamento que dura décadas? Diversos casais tentam responder.
→ Denis Johnson voltou à moda com o lançamento do filme “Train Dreams”. Uma biografia mostra detalhes não muito agradáveis do recluso escritor.
→ Alto-falantes, luzes de LED e um chip que possibilita a interação com outras peças. Este é o novo Lego.
→ 51 expressões usadas pelos Gen Z.
→ “Estou plenamente convencido de que a bolha da IA generativa irá estourar em um futuro não tão distante.”








